Entre o pincel e o mouse

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Nos reality shows costuma haver um "confessionário", onde os participantes fazem suas confidências sozinhos diante da TV. No último BBB brasileiro, surgiu a novidade do "quarto branco", que criou até uma celeuma. Seria uma espécie de tortura?
De tal forma a ausência de cor e móveis incomoda, que um cômodo totalmente branco é altamente desumanizante, trazendo angústia e solidão. A pessoa perde a noção de tempo e o lado psicológico é perturbado.
Quis registrar esse fato para mostrar o quanto é importante a presença da cor, dos quadros, dos móveis e da beleza de modo geral na vida humana.
Esses detalhes não são supérfluos, fazem parte da constituição normal da pessoa civilizada. Criam limites, dão um sentido de harmonia, de espaço vivido, de aconchego, de familiaridade, de intimidade. E isso não é pouco. Equilibram o ser humano e o lançam na busca de uma forma ideal de beleza, cujo ápice é Deus.
É horrível a sensação de estar solto no meio do universo, sem qualquer referência. A arte está aí para nos localizar numa cultura, numa época, num lugar da História. É isso que eu, como artista plástico e historiador, pretendo trazer para a 50ª Expoagro. Aspectos étnicos do Brasil, com uma presença forte de várias raças de cavalos, com brilho e originalidade.
Estarei no estande da Fundação Rural voltado à cultura, com cerca de 40 quadros. São uma novidade: cibergravuras, ou seja, obras autênticas minhas tratadas com efeitos do design gráfico. Espero vocês todos lá.
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Renato Pessanha
Artista plástico, licenciado em História,
Pós-graduado em Assessoria
de Comunicação